Um Pouco da História

SANTO DAIME – UMA TRADIÇÃO ACREANA

História do Mestre Irineu

Na história das religiões, que se conta a milênios, o Daime, com suas sete décadas de vida, ainda é um bebê. Já na história do Acre, a doutrina fundada por Raimundo Irineu Serra, o Mestre Irineu, está entre as tradições mais marcantes e conhecidas.

Neto de escravos, nascido no Maranhão em 1892, Irineu foi atraído à Amazônia pelo mesmo motivo que muitos outros brasileiros da época: ganhar a vida na grande expansão econômica da borracha. Como seringueiro, e depois membro da guarda territorial, tornou-se íntimo da floresta – onde veio a conhecer a sagrada bebida medicinal, e visionária dos antigos pajés, a chamada Ayahuasca ou Yagé, entre tantos outros nomes. Por seu intermédio, essa bebida ganharia outro nome, Daime.

Origina-se do verbo “dar”. Em muitos hinos da Doutrina se encontram as expressões “dai-me amor”, “dai-me fé”, “dai-me cura”, pois quem toma Daime deve estar pronto a receber as dádivas vindas de Deus, contidas nesta bebida sagrada. O Daime se tornaria base de uma nova doutrina cristã, popular mas também esotérica, com forte influência do Círculo Esotérico da Comunhão do pensamento, sediado em São paulo.

Segundo Mestre Irineu, foi a própria Virgem da Conceição, como rainha da Floresta, quem lhe entregou todos os preceitos e rituais daimistas, incluindo os hinos, canções tão importantes quanto a bebida para transmissão dos ensinamentos da Doutrina.

A partir da década de 30, quando passou a dirigir seu centro em Rio Branco, até falecer em 1971, Mestre Irineu foi muito procurado como líder, conselheiro e curador.

História do Mestre Conselheiro Luiz Mendes

Na evolução e desenvolvimento da Doutrina do Daime, merece especial destaque a pessoa do Mestre Conselheiro Luiz Mendes do Nascimento, que acompanhou o nosso fundador Mestre Irineu nos nove últimos anos de sua existência terrena. Durante sua convivência com o Mestre Irineu, foi aclamado por ele como orador oficial, devido a sua grande capacidade espiritual de fazer uso da palavra.

Luiz Mendes nasceu em 4 de janeiro de 1940 no Estado do Acre. Seu pai era cearense de Uruburetama e sua mãe acreana. Sua esposa, Madrinha Rizelda, é filha de dona Ana de Souza e do sr. Elias Brito, uns dos mais antigos discípulos do Mestre.

Após a passagem do Mestre para o plano espiritual, Padrinho Luiz frequentou os trabalhos durante dois anos na sede original, sob o comando do sr. Leôncio Gomes da Silva – nomeado presidente pelo próprio Mestre e, depois, contribuindo para a expansão da Doutrina, foi um dos fundadores do CEFLURIS sob o comando do Padrinho Sebastião Mota de Melo, do CICLU sob o comando do sr. Francisco Fernando Filho (Tetéu), do CICLUJUR sob o comando dos srs. Tufi Rachid e Ladislaw Nogueira, e de outros centros.

Viveu na Vila Fortaleza, comunidade fundada por ele, localizada no município de Capixaba, BR 317, km 89, Projeto de Assentamento São Gabriel, Ramal da Gameleira ou Eletrônico, km 15, a 100 km de Rio Branco, às margens do Rio Xipamano na divisa com a Bolívia. Acompanhado pelos filhos Saturnino, Solon, Solange, Elias, Holderness, Rosalange e Luiz Brito, com suas respectivas famílias, e outros amigos e irmãos, trabalha na floresta com agricultura de subsistência, plantações de Jagube e Rainha, extrativismo, preservação ambiental e desenvolvimento sustentável.

História do Padrinho Sebastião

Mestre Irineu teve vários amigos e seguidores se destacando: Germano Guilherme, Maria Damião, Antônio Gomes e João Pereira. Estes deram origem a um dos hinários mais importantes da Doutrina, que é chamado hinário dos mortos. Este hinário descreve a vida do fundador da Doutrina sobre 4 ângulos diferentes.

Houveram também outros que foram: João Pedro e Dona Peregrina sua esposa, Senhor Tetéu, Tetê, Rita Gregório e Sebastião Mota de Melo, que foi após o Mestre Irineu a figura de maior notoriedade na doutrina. Foi ele o grande mantenedor e divulgador destes preceitos. Com suas longas barbas brancas e sua esposa Madrinha Rita, trouxeram para o mundo este conhecimento tão relevante de sua época. Por sua venerável missão, exemplo de humildade e dedicação, ganhou o título de Padrinho dos Padrinhos. Graças ao amor e persistência do Padrinho Sebastião, hoje existem igrejas no mundo inteiro.

O serviço desenvolvido por ele sempre foi baseado na caridade, uma vez que nunca teve nenhuma recompensa material por isso. Foi considerado o pai dos alternativos por ter acolhido mendigos, mochileiros, e desenganados em sua comunidade. Nunca teve preconceito contra ninguém e por isso foi muito incompreendido. Padrinho Sebastião sempre recebeu à todos acreditando na cura e encaminhando-os para o trabalho verdadeiro, despertando a consciência espiritual e fazendo-os acreditar nas leis de Deus.

E realmente muitos foram curados. Após sair do Alto Santo fundou 3 comunidades: Colônia 5000 onde primeiro residiu, Seringal Rio do Ouro que por inúmeras dificuldades acabou abandonando para se fixar em definitivo no Céu do Mapiá, sendo lá a sua derradeira estada na terra. Em 1990 fez sua passagem no Rio de Janeiro na convivência de seus afilhados que muito o amavam. Após sua passagem a Vila Céu do Mapiá se desenvolve à administração de seu filho Alfredo Gregório de Melo, atual representante de seu legado comunitário.

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