Reinado do Sol

Decreto

Eu tenho amor, eu tenho amor
Por todas as criaturas
Se eu tenho amor, se eu tenho amor
Não há mal que me segura

Eu venho de longe, eu venho de longe
Venho dos Campos Sagrados
Se eu tenho amor, se eu tenho amor
Tudo em mim é sustentado

Hey, hey, hey, hey. Hey, hey, hey, hey
Vou trabalhar os elementos
Na terra a base, os fundamentos.
Na água o amor, os sentimentos.

Eu sou do fogo, eu sou do ar
Transmuto ao me comunicar
Quem está comigo não se cansa
Se engata o enigma desta dança

Hey, hey, hey, hey. Hey, hey, hey, hey
Adentro a Roda Sagrada
Eu canto e danço na comunhão
Das luzes de Águia Dourada

Chamei todos os santos do panteão
Abri todas as portas do coração
A Rainha da Floresta
Pedi todas as luzes
Pra vir iluminar a nossa festa

Chamei todos irmãos para se apresentar
Sofredor ou de luz que queiram aqui estar
Esta Presença Trina
Que a todos conceda
Os ensinamentos da Doutrina

O perdão está comigo
Para quem está trancado
Os que recebem graças
Já foram perdoados
Mas se a luz os redime
Procurem se lembrar
De todos seus antigos crimes

Lembrando de onde veio
Pode ter um alento
Pra quem se acha grande
Ainda tem sofrimento
Quem julga seu irmão
Dentro desta corrente
Vai voltar pro caldeirão

Hare, Hare Gandharvas
Hare, Hare, Hare On

O som vem das esferas
Do alto vem a canção

Dos anjos que nos guardam
Das esferas vem o som

Hare, Hare Gandharvas
Hare, Hare, Hare On

Os acordes do divino
Vem do alto, vem do som.

Centrados nestes hinos
Me ordenaram a louvação

Hare, Hare Gandharvas
Hare, Hare, Hare On

Eu sou o Rei do Mundo
Do Reinado das Flores
Que quiser que duvide
Prossiga em suas dores
Quando chegar a hora
De todos conversamos
Serão lembrados os erros
Os que não evitamos

Os erros fazem parte
Do Caminho que concedo
Quem faz dele uma escola
Chegará mais cedo
Conquanto se arrependa
E busque o entendimento
Errando é que se aprende
Com o meu consentimento

Eu sou o Rei do Mundo
E isto atrapalha
Aqueles reis menores
Que fogem da batalha
Quem é grande é pequeno
Não entra em meu Reino
Mas quem se entrega à cruz
Ressucitará na luz

Os pobres e as crianças
Acolho em Meu abraço
Da Terra os desvalidos
É que entram em Meu palácio
Para entrar em Meu Reino
É preciso confiar
Que apesar das curvas
O rio se entrega ao mar

Essa força é de Yansã
Ela vem descarregar
Yansã força guerreira
Faz as almas se encaminhar

Eparrey, Eparrey Yansã
Yansã aqui chegou
Yansã força das almas
Que ela vai direcionar

Essa força é de Yansã
Rainha da Tempestade
Cruza as forças e descarrega
Os buscadores da Verdade

Eparrey, Eparrey Yansã
Yansã aqui chegou
Para as almas que vem buscando
A Justiça de Xangô

Pedi para Águia Dourada
Que ilumine esta sessão
Com as luzes de sua linha
Fé, firmeza e compaixão
Também invoquei a Rainha
Senhora da Conceição
Vós me ensines, que sois minha
Guardiã do Coração

Eu preciso de alegria
Pra seguir nesta missão
Sigo sempre a Estrela Guia
Batizada por São João
Veio ao mundo nos mostrando
O grande poder do amor
Inoculando em nossa alma
A luz do Eu Superior

Tenho em mim esta presença
Embaixadora da verdade
Eu nem preciso de crença
Se pratico a eternidade
Mas se Vos deu esta escola
E mandou os professores
Busco ser bem aplicado
E me livrar desses terrores

O Mestre manda-me seguir com alegria
O Mestre manda-me reagir com amor
Harmonizando as relações nesta família
Que cada aresta alimenta a nossa dor.

Ele é tão simples em seu grande ensinamento
Chamar a força Ele permite a qualquer um
Basta ser leve e puro de pensamento
Ir perdoando, viver sem ranço nenhum.

Pois cada mágoa que guardamos cá no peito
É mais um fardo que levamos na bagagem
Quero ser Águia e voar com Deus por perto
Ser muito leve para ir longe na viagem

Ela é a protetora desta casa
Esta casa é de Oração
Ayê eu, Mamãe Oxum
Ouro do Rei Salomão

Ela é a protetora desta casa
É guardiã do coração
Fazei-me agir na sabedoria
Nestes encontros com meus irmãos

Ela é a dona da manjedoura
Aonde abrigo o meu Jesus
O meu amor dedico a ela
Grande é este brilho que me conduz

Protegei-nos destes enganos
Que cometemos dentro da Linha
Ayê eu, Mamãe Oxum
Nos defendei, minha Rainha

Trabalhando nestas linhas
Replantadas pelo Mestre
Na Luz da Santas Doutrinas
Que o Mestre semeou
Quem falar mal de uma Linha
Está contra os Seus ensinos
Manifestos nestes hinos
Da Doutrina do Amor

Para cada filho Seu
Ele envia o seu sustento
A cada um o alimento de
Sua necessidade
A luz faz diversas cores,
E são diferentes flores
Que compõem o jardim
De nossa Mãe da Caridade

A cada povo de Deus
Em um momento de sua História
As emanações do alto
Enviam seus Guardiões
Às crianças historinhas
Para guardar na memória
Aos iniciados chaves
Transformando os corações

Atenção nestas palavras:
Eu exijo tolerância
Foi em nome do amor
Que travaram tantas guerras
Aquele que fala mal
Ainda está na ignorância
É a união das Linhas
Que pode salvar a Terra.

Eu acordei com o Beija Flor
O Beija Flor que me ensinou
O Beija Flor fez o seu ninho
Neste caminho superior

O Beija Flor, o Beija Flor
Junto comigo caminha
Me entregando nesta Linha
Todos os tesouros da Rainha

O Santo Daime é o caminho
E o tesouro é meu Jesus
Milhões de seres estão chegando
Para beber da Santa Luz

A Luz que traz sabedoria
Para aceitar o professor
Mestres da Luz se apresentando
Na Linha do Beija Flor

Pedi para meu anjo Guardião
Clareza prá seguir nesta missão
Consciência para ser um curador
Uma chama neste mundo sofredor

Deixando sempre quem quiser falar
Mas não dando motivo prá ninguém
O que cala o inimigo é a virtude
E a humildade quando for fazer o bem

Meus caboclos eu quero poder chamar
Bem limpo para a Luz vir trabalhar
Agindo para ser um bom exemplo
Provando merecer ser Vosso Templo

Neste dia de Yemanjá
Vejo as forças balançar
Vejo as ondas balançar
Neste dia de Mamãe
Oh minha Senhora Mãe
Santa Estrela a brilhar
Reluzindo as sete pontas
Nos Mistérios de seu mar
Oh Rainha Odo Yá
Oh Yo-do-ce, yabá

Zeladora Mãe da Vida
Acalmai meu coração
Com a vossa ondulação
Defendendo com Omolu
O Trono da Criação
Renovando nossa fé
Prá poder recomeçar
Nos balanços de seu mar
Oh Rainha Odo Yá
Oh Yo-do-ce, yabá

Ouvi na mata, ouvi na mata
O ronco surdo do tambor
Era meu povo relembrando
Tudo que já se passou

Ouvi na mata, ouvi na mata
O canto rouco dos guerreiros
Está chamando os caboclos
Para atuar neste terreiro

Quem são os índios destas matas
Que aqui vem trabalhar
Eles tem pena estes caboclos
E agora vão chacoalhar

Não é tupi, não é guarani
Esta tribo é do astral
O seu cacique é Oxóssi
O Rei deste Jagubal

Entre nascendo e renascendo
Aqui e em outros planos
Em uma vida foi sacerdote
Em outra, índio americano.

Okê arô, okê arô
Oxóssi é rei e meu senhor
Me submeto às suas ordens
Para ser conhecedor

A Rainha da Floresta
Foi quem me mandou falar
Quem estiver dormindo acorde
Para vir me escutar
Que o assunto é muito sério
Não pode deixar passar

Os recados que Ela envia
A cada dia de sessão
É para dar acolhida
Dentro de seu coração
Que eles não são enfeite
Prá adornar a miração

Todo dia de trabalho
Cada um tem sua mensagem
Mas para se tranformar
Exijo um tanto de coragem
Ou vai adiando a vida
Distraído com bobagem
O acerto que é pedido
Tu não deixes para amanhã
Que o Tempo quando chega
Enviado por Nanã
Pode te achar em má hora
Prá encontrar Juramidan

Em outros tempos Ele disse:
Quando ouvir o meu chamado
Largue tudo, me acompanhe
Quero te ver ao meu lado
E não olhe para trás
Se quiser ver o meu Reinado

O bom guerreiro sempre age
Prá sua flecha ser certeira
Tem a força da certeza
Para não fazer besteira
Ao seu lado tem a morte
Como boa companheira.

Oh, Luz do Sol Dourado
Enviai a este salão
A vossa Divina cura
Disciplina e União

Oh, Luz do Sol Dourado
Acalmai os faladores
Que se intrigam nesta casa
Apesar de seus primores

Oh, Luz do Sol Dourado
Clareai todo este povo
Sempre que for necessário
Ensinai eles de novo

Oh, Luz do Sol Dourado
Educai os zombeteiros
Lhes mostrando esses vícios
Que maculam este terreiro

Oh, Luz do Sol Dourado
Esconjure da corrente
A força de Lúcifer
Que está na lingua desta gente

Se tu pensas que este alerta
Serve para o irmão do lado
Examine a consciência
Sob a Luz do Sol Dourado

Tantas prendas da Rainha
Me permitiram eu alcançar
Alçar vôo no bailado
E ir aprendendo a amar
Fui errando pelo orgulho
Me enleiando em vaidade
Para o Daime em seu espelho
Ir me mostrando a verdade

Meus enganos, agora eu sei
São partes da caminhada
Hoje eu me perdoei
Minhas mãos estão desatadas
Vou seguindo bem pequeno
Procurando bem servir
Ao Mestre e ao irmão do lado
Que deseje prosseguir

Um colar de belos cantos
A Rainha me colocou
Em cada ensino um dever
Com que o Daime me coroou
Só o que eu peço agora é força
Pra agüentar a obrigação
Tenho o amor que é luz do Sol
Neste Reinado do Perdão

Oh, oh meu Divino Pai
Meus trabalhos eu entreguei
Nesta casa da Verdade
Onde sois o Maior Rei

Este hinário foi encerrado em São Paulo
em 27 de abril de 2001.

 

Editado em Setembro de 2003.

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