Primeira Lição

Quem chega nesta casa
Aos pés do Santo Cruzeiro
Recebe a primeira ordem
De aqui ser verdadeiro
Aos primores revelados
Nesta casa da Verdade
Vão se acumulando os fardos
Da responsabilidade

Mas os olhos vão crescendo
Diante o brilho do salão
E todos vão se esquecendo
De sua primeira lição
Vão se achando graduados
Querem de qualquer maneira
Armar as penas do pavão
Já na primeira fileira

Vão se achando no direito
De arrumar o seu irmão
Vão todos inflando o peito
A derramar a preleção
Mas ninguém se preocupe
Com onde isso vai dar
O pavão fica dando volta
E o passarinho vai voar

Esta advertência é séria
Mas parece brincadeira
Os trabalhos vão passando
Lembre de qualquer maneira
Tua hora está chegando
E tu não sabes pra onde ir
O mapa estou te dando
Trate de se corrigir

Estou sentado aqui na beira deste rio
Vou meditando e vendo a vida passar
Vamos singrando e descendo a correnteza
Sendo levados pelo rio até o mar

Lá no começo um fio de água pequenino
Que foi brincando entre as pedras da mata
Celebra a vida este dom da natureza
Que vai crescendo até o canto da cascata

Desceu a serra e serpenteia na planície
Já é um rio calmo e cheio de vigor
O seu traçado se aproxima da velhice
Que nos irriga em seu generoso amor

Estou sentado aqui na beira deste rio
Vou relembrando tudo que a vida me deu
Tantos amores que se foram ali descendo
Pelos caminhos que o Destino escolheu

Eu bem velhinho aqui saúdo esta corrente
De bons amigos abençoados pela Graça
À juventude ofereço este presente
Estar ciente que na vida tudo passa

21 de setembro de 2001

É com Jesus, com esta força maior
Das Estrelas, da Lua
Que trago aqui o Comando do Sol
Este Reinado venho anunciar
A Nova Era que está pra chegar

Eu chacoalho este meu maracá
Por aqui e por lá
Muito ainda eu vou chacoalhar
Enquanto esta corrente não se firmar
Enquanto esta corrente não se firmar

É na união e na calma também
Se arrepender pra obter
A chave de Nova Jerusalém
Que os Tempos já estão chegando
Há muito tempo que venho avisando

Eu chacoalho este meu maracá
Por aqui e por lá
Muito ainda eu vou chacoalhar
Enquanto esta corrente não se firmar
Enquanto esta corrente não se firmar

Sigo a minha caminhada
De espada na mão
Sei que vou acompanhado
Com o meu São João
Vou levando bordoada
E incompreensão
Mas o que vai me proteger
É saber dar o perdão

Vou caminhando entre flores
Apesar de alguns irmãos
Vou me livrar dos terrores
Com as armas do coração

Sei que meu caminho é reto
E meu escudo é de Luz
Tenho esta Santa Doutrina
Do meu Pai que é Jesus

17 de dezembro de 2001

Quando a minha hora for chegada meu Pai
Virá com sua chave me entregar o que fui
Lembranças do caminho vão me alcançar
Espero ver a minha luz em seu altar, meu Pai

Os irmãos com quem meu coração se ligou
Os irmãos a quem a minha luz faltou
Longa fila das almas que eu encontrei
Me aguardam no portão da ante-sala de meu Rei

Vou limpando, quero hoje e sempre me limpar
Quero estar no coração de meu irmão
Pois a chave que abre a porta do meu Pai
É amar, se humilhar e pedir perdão

O meu Mestre me falou
Com seu cajado na mão
Se tu pisas de mansinho
Vais receber a lição

O meu Mestre me falou
Sobre eu ser verdadeiro
Com amor no coração
Brilha a Luz neste terreiro

Deixa quem quiser falar
Se tu amas a missão
Aos surtados vais curar
Se os consideras irmãos

O meu Mestre me falou:
Tu trabalhas para o claro
Com verdade tu avanças
Com rancor Eu mesmo paro

O meu Mestre me falou
Os que trabalham para o escuro
Muito vão te atrapalhar
Quero ver se estás maduro

Seja o claro, seja o escuro
É tu quem escolhe a banda
Viva o Reinado do Sol
Viva o Daime, viva a Umbanda

2x

Eu peço a meu Mestre
Não me deixe tombar
Vou mergulhar nesta força
Que o Mestre me dá

Sigo cantando os hinos
Neste lindo salão
Renovando os votos
Em meu São João

Vou pular a fogueira
Vou me libertar
Nesta noite de festa
Que o Mestre me dá

Linda festa junina
Da transformação
Mergulho e me batizo
Com meu São João

Diante da Luz
Do Santo Cruzeiro
Prometi a este amor
Zelá-lo por inteiro
Diante de Deus
Do Pai Verdadeiro
E do meu Jesus
O Rei do mundo inteiro

Esta graça divina
De ter no coração
Formando uma corrente
De tantos irmãos
Eu não sei se mereço
Mas sempre lhe peço
Ter amor transbordando
No meu coração

Aprofundando o Mistério
De estar sempre ligado
Com o irmão da frente
De trás e do lado
Eu não sei se mereço
Um dia compreender
O amor que me liga
A Seu santo Poder

Descendo a cachoeira
Sou pedrinha rolante
Aparando as arestas
Vou virar diamante
O Padrinho dizia
Nós todos somos Um
Vou zelar o Amor
Que nos dá Mãe Oxum

O,o,o …

São as caboclas de Yemanjá
Que vem fazer a romaria
Trazendo a força da limpeza
Na casa de Santa Maria

Oh! Minha Mãe vou despachar
Este trabalho que Vós dá
É alfazema, é o cristal
E é o sal que vem do mar

Saúdo a minha Grande Mãe
Que tenho a ordem de louvar
Quero ser filho bem direito
E sei que o caminho é estreito

É chama branca, é chama azul
São Suas águas a me lavar
Me dê a paz, ó Grande Mãe
Que eu não quero mais chorar

O,o,o …

Quando coloquei uma estrela em meu peito
Foi o meu Mestre quem me convidou
Eu passo a vida alegre e satisfeito
Hoje eu faço parte desta Escola do Amor

É a Escola da Rainha quem me ensina
A aliar o Amor à Disciplina
E quem não sabe a escola a que me filio
É a do Compromisso com o Pai e com o Filho

O Santo Daime é o Sol da minha vida
E a Umbanda é sua filha querida
Se tenho Shiva mandando a transformação
Também tenho a fogueira do meu grande São João

É Juramidam quem me ordena este trabalho
Se eu falar mal é com Ele que eu falho
Os meus caboclos lhe rendem obediência
E têm uma casa própria pra estudar essa ciência

Os caboclos desta banda
Que juntos vêm trabalhar
Nesta roda de harmonia
Os aparelhos doutrinar

No silêncio e reverência
Vamos todos escutar
Quem não serve nesta banda
A força vai expulsar

Estes corações nublados
Que estão a duvidar
Que procurem outra casa
Onde possam se curar

Mas quem reconhece a força
E este poder de luz
Pede axé a este terreiro
Comandado por Jesus

Na porteira tenho guarda
Que não deixa o mal entrar
E o meu Ogum guerreiro
Pra esta casa sustentar

Peço força às Mães d’Água
E às caboclinhas do Mar
O axé da machadinha
Que vem nos equilibrar

A flecha do conhecimento
Para a mente expandir
De mãos com meus pretos velhos
Muito longe eu possa ir

Por fim vou limpando a casa
Com a Linha das Crianças
Saio limpo e satisfeito
Carregado de esperança

Tanto pedi, mas não zelei
Implorei, mas não dei atenção
Que os presentes foram chegando
E esparramando pelo chão

Clareia, clareia
Clareia o meu coração
Para eu andar por este caminho
De lamparina na mão

A vida é breve pra se distrair
Quem quer dormir vai ficar na ilusão
Ou eu conquisto as minhas medalhas
Com as minhas próprias mãos

Clareia, clareia
Clareia o meu despertar
Vou levantar com a minha espada
E a consciência conquistar

Vim pular as sete ondas
Caboclinhas de Yemanjá
Aye eu, O do ce yaba
Aye eu, O do ce ya

O meu nome é Mariazinha
Sou filhinha de Olorum
Aye eu, O do ce yaba
Aye eu, O do ce ya

Vim trazer minhas amiguinhas
E as priminhas de Oxum
Aye eu, O do ce yaba
Aye eu, O do ce ya

Venho brincando do céu
Pra trazer esta mensagem
É brincando que eu trabalho
Pra dar conta da viagem

É por ter amor, é por ter amor
É por ter amor ao Cristo Redentor
Que eu me inscrevo neste batalhão
Me comprometo com esta missão
E me preparo junto aos meus Guias
Pra transformação

É por ter amor, é por ter amor
É por ter amor ao Cristo Redentor
Que eu recebo no meu coração
E me entrego a esta miração
Para poder vir colher as flores
De Vossa instrução

Tanto tempo aqui nesta Doutrina
Estou pronto para começar
E seguindo o caminho do Mestre
Vou bailando e aprendendo a cantar

Tomo Daime e me confraternizo
Tropeçando e aprendendo a amar
Olho a todos aqui nesta corrente
Não tem nenhum que eu não possa olhar

Que alegria, estes seres divinos
Tem a Luz de poder me aceitar
Afinal eles são a irmandade
Os do céu e os que estão a bailar

Este Buda que vive em minha alma
Reconhece os que estão a brilhar
Nesta roda de seres divinos
São meninos a se iluminar

E foi das matas de meu Pai Oxóssi
Que eu vi sair os guerreiros do Sará
Okê Aro, meu Pai, Okê Aro, meu Rei
Estes caboclos trazem força para curar

Ê, ê, Ewa. Ê, ê, ê, ô.
Eu danço para a roda de cura

Aqui nas matas dança o Rei do amor
Meu Sete Flechas, minha Mãe Jurema
Currupipipiraguá e suas forças do ar
Que se congraçam hoje na floresta
E trazem a cura para a nossa festa

Ê, ê, Ewa. Ê, ê, ê, ô.
Eu tenho as folhas da sua cura
Que o meu Pai Oxóssi consagrou

Se você quer saber
Qual é a diversão do Mestre
A diversão do Mestre
Vou contar pra você

É cantar e bailar
E se alegrar
Se alegrar
Para o Mestre te ver

Um pra lá, um pra cá
Um pra lá, um pra cá
E bater palma pra dor espantar

Pensei que essa gira não ia acabar
Pedi para todos os meus guias me ajudar
Eu sei que sou filho da Força Maior
Do Mar, da Floresta, do Vento
Eu sou Filho do Sol

Nas ondas recebi os recados de Yemanjá
Soltar e ser leve para balançar
Aquele que na vida se cristalizar
Mais dia, menos dia na vida vai quebrar

Girei como as folhas que a mata ofertou
Ao vento neste gesto de entrega e de amor
O Tempo, pai de todo conhecimento
Nos diz: Se entrega para ser feliz

Peruíbe,  janeiro de 2003

Tupinambá é caboclo (3x)

Vem de uma estrela o caboclo (3x)

Águia Dourada é caboclo

Vem de uma estrela o caboclo

Espuma Branca é cabocla

Yemanjá é uma estrela

Estrela do mar vem brilhando
São as caboclas chegando
É Yemanjá reinando

Vou entrar no balanço
Eu não posso negar
É o Tempo que chega
Para nos mostrar

Para nos mostrar
O Grande Professor
Se eu escolho a luz
Ou se fico com a dor

Eu balanço, eu balanço
Para me equilibrar
Vou ficando quietinho
Eu não sou falador

Os ensinos do Mestre
Vêm na forma de Lei
É a Lei do Retorno
Tudo volta, eu sei

Ele nos dá a pedra
Esta Lei é certeira
Quem é puro e sem nódoa
Que atire a primeira

Como sou filho Dele
E a Ele quero chegar
Vou só testemunhando
O que Ele faz pra ensinar

A energia do Mestre
Vem mostrar a que veio
Com amor ou chicote
Vai nos levar para o meio

São as ervas que Deus pôs na terra
E em cada folha, uma força do astral
Eu trabalho firmado na Santa Maria
Que é quem nos guia e limpa do mal

Quem de posse deste seguimento
Chama a força deste elemental
Se respeita o poder deste conhecimento
Consagra dentro de um ritual

Vejo bailar as princesas da mata
Flores vivas que brilham do astral
Mamãe Jurema é quem chega ensinando a seus filhos
A disciplina deste vegetal

Eu peço sempre para Deus me proteger
Com o Seu manto, Seu amor e Seu saber
Águia Dourada abre as portas lá do céu
Conduz a entrada da corte de São Miguel

Se alguma coisa está errada na sessão
Primeiramente Ele traz a preleção
Nos assegura os termos claros da Doutrina
E só então impõe a nós a Disciplina

Eu peço sempre para Deus nos proteger
Com Sua flecha, Sua espada e Seu poder
Oxóssi e Ogum vêm comandar esta aliança
São Sebastião pra equilibrar esta balança

Águia Dourada vem aqui nos revelar
Da parceria com o Rei Tupinambá
Que vem plantar em cada um, uma semente
Esta é a coroa que Ele trás sobre a corrente

O Rei Oxóssi é o Rei quem comanda
Os raios que chegam para trabalhar
É o Rei de todos, o Mestre da Umbanda
E traz seus caboclos para ensinar

É o Rei que chega aqui neste terreiro
Vibrando as luzes de um deus brasileiro
Balança as folhas em volta de todos
Alunos queridos Faróis de Aruanda

Balança as cores, as luzes, os raios
Com Mamãe Jurema
Viva os filhos da Umbanda

Eu sou peregrina, eu sou peregrina
Desde o início dos tempos que venho buscando
De vida em vida, por todos os caminhos
O sopro divino é que vai me levando

Com o irmão da frente, com o irmão de trás
Que belos ensinos o Caminho traz
Da mão que recebo um afago sincero
Aprendo a ser um irmão verdadeiro

A Deus eu entrego o seu julgamento
A cada um por seu merecimento
Se julgo um irmão eu caminho sozinho
Se chegamos juntos, mereço o Caminho

Santiago de Compostela, 30/ago/03

Muitos seres já fui
O que já fui vou dizer
Tenho o vento pra me compreender
Iluminei a imensidão
Com meu rastro de luz
Em meu ser a luz do Sol fiz arder

Na consciência das coisas divinas
Minha alma levita e agradece
Com a água e o fogo e as ervas da mata
Misturei e criei esta prece

Sou poeira de estrela
Nebulosas e areia
Sou as ondas que espumam o mar
Sou brilho do firmamento
Sou eterno e um momento
O meu Pai é quem me faz cantar

Na consciência das coisas divinas
Invoquei a meu Pai ser morada
Das riquezas de Seu Universo e em verso
Ele deu-me a bebida sagrada

Um tapete de cores
Um jardim de mil flores
O meu Pai quem plantou e fez crescer
Tudo eu tenho em minha alma
Que Seu sopro anima
Eu celebro o meu renascer

Dentro desta caminhada
Deus do Céu é Quem me dá
O poder e a ciência
E a luz para atravessar

Distribuo a minha luz
Deus do Céu é Quem me dá
O poder de dividir
E a ciência de semear

Eu reparto o pão divino
Deus do Céu é Quem me dá
Só a fome do divino
Leva a alma a se elevar

Tomei Daime e segui
Numa longa viagem
Entre nuvens e seres
Do Reino do Amor
Tomei Daime e subi
E nem me despedi
E um ser dentro em mim
Nunca mais retornou

Quando eu lembro da Terra
E dos irmãos que deixei
Sempre rezo por eles
Para Deus eu pedi
Um pouco menos de guerra
Um pouco mais tolerância
Que nesta ignorância
Não podemos subir

Vivem se cutucando
E se desconfiando
E a energia vazando
É energia divina
Se é para ser criança
Que seja numa ciranda
Cantando e se alegrando
Como o Mestre nos manda

Tomei Daime nos tempos
Que estive entre vocês
E agora do alto
Envio esta instrução
Vamos ser mais amigos
Tirar o joio do trigo
E fermentar com amor
Este divino Pão

O meu Mestre é Irineu
Do batalhão de São João
O general é o Rei do Sol
Que ilumina esta sessão

Abro a mente para o astral
Fecho o corpo aqui no chão
Só quem for clarividente
Compreende esta instrução

A luz de Águia Dourada
Abre as asas sobre nós

Solto a voz, eu solto a voz
Deixo o corpo balançar
A serpente vai subir
E a consciência vai baixar

O que me liga aos meus irmãos
É a entrega e a doação
Do infinito em que eu danço
Compreendo este balanço

A luz de Águia Dourada
Abre as asas sobre nós

Oh Divina Luz,
Oh Mãe Criadora
Foi por estas mãos
Que eu vim para esta vida
Sendo aqui no mundo
Sua sucessora
A minha mãe terrestre
Minha mãe querida

Quando eu lhe abraço
E lhe agradeço
É com a Divina Mãe
Que eu me reconecto
Para ser bom filho
Eu pago o Seu preço
Que é seguir na luz
Pelo caminho reto

Quem me deu carinho
E o alimento
Quem me deu consolo
E um bom seguimento
Estando ao meu lado
Em meio ao sofrimento
Mãe de Caridade
Luz do firmamento

Oh minha mãe querida
Do meu coração
Aqui nesta vida
Foste a protetora
A mãe encarnada
Com a imensa missão
Ser da Imaculada
Sua embaixadora

Oh Divina Luz,
Oh Mãe Criadora
Foi por estas mãos
Que eu vim para esta vida
Sendo aqui no mundo
Sua sucessora
A minha mãe terrestre
Minha mãe querida

Quando eu lhe abraço
E lhe agradeço
É com a Divina Mãe
Que eu me reconecto
Para ser bom filho
Eu pago o Seu preço
Que é seguir na luz
Pelo caminho reto

Quem me deu carinho
E o alimento
Quem me deu consolo
E um bom seguimento
Estando ao meu lado
Em meio ao sofrimento
Mãe de Caridade
Luz do firmamento

Oh minha mãe querida
Do meu coração
Aqui nesta vida
Foste a protetora
A mãe encarnada
Com a imensa missão
Ser da Imaculada
Sua embaixadora

Foi muita dor, muita aflição e sofrimento
E então São João chegou trazendo o Seu alento
Clareou com sua fé a confusão dos pensamentos
E iluminou este salão com a grande luz do
firmamento
Nesta canoa que das matas retirastes
Eu embarquei e foi para nunca mais voltar
Vou com a Rainha da Floresta e sua corte celestial
E meus irmãos aqui da terra e do astral
Meu São João, meu São João, meu São João
Eu quero hoje Vos saudar e agradecer
Pelo conforto e direção, pela acolhida e proteção
Sou filho Seu deste momento até morrer

Neste dia de alegria
Junto com os meus irmãos
Louvo a Santa Maria
Mais respeito no salão

Vou passando as minhas provas
Recebendo a instrução
O que a Rainha me ensina
É suavizar com os meus irmãos

O que é a disciplina
Vou dizer nesta sessão
É ser o dono do aparelho
E não o servo da ilusão

Quem é dono de si mesmo
Já entende a preleção
Segue no caminho reto
Com Ogum e São João

Neste dia de alegria
Junto com os meus irmãos
Louvo a Santa Maria
Mais respeito no salão

Vou passando as minhas provas
Recebendo a instrução
O que a Rainha me ensina
É suavizar com os meus irmãos

O que é a disciplina
Vou dizer nesta sessão
É ser o dono do aparelho
E não o servo da ilusão

Quem é dono de si mesmo
Já entende a preleção
Segue no caminho reto
Com Ogum e São João

Pedi ao Mestre
Sua firmeza e paciência
Para estudar esta ciência
E seguir na construção
Procurando
Elevar meu pensamento
E dar o meu seguimento
Em Sua Santa direção

Dando a notícia
Desta Estrela do Oriente
Que das noites do deserto
Veio para nos guiar
Daquelas tendas
Vindas das noites do tempo
Sua chama ainda hoje
Continua a iluminar

Rendo tributos
Entrego a Ti os meus trabalhos
E Lhe trago oferendas
Para sempre Lhe adorar
Como os Reis Magos
Cujos passos seguirei
Lhe ofereço a minha vida
Que Sois o maior dos reis

Incenso, mirra, ouro
São os meus tesouros
Representam os Mistérios
A entregar à manjedoura
Neste altar
Imolo a minha vaidade
E subjugo a vontade
Aos pés da Virgem Criadora

Eu vou rezar pra você
Aos pés de Mamãe Yemanjá
Eu vou implorar para Ela
Que venha lhe ajudar

Oh, Mamãe Consoladora
Que lave nas ondas do mar
Essas mágoas cristalizadoras
Que querem lhe derribar

Se lembre, minha filha querida
O mal tem mil portas pra entrar
Não deixe que a sombra invada
Essa Luz que Eu lhe dei pra zelar

Carregue na senda da vida
O Graal sem deixar derramar
Ensinei desde lá do começo
O tropeço ensina a levantar

A doçura é a taça divina
A dureza faz ela trincar
Quantas jóias na beira da estrada
A tristeza não deixa enxergar

Pedi ao Mestre
Sua firmeza e paciência
Para estudar esta ciência
E seguir na construção
Procurando
Elevar meu pensamento
E dar o meu seguimento
Em Sua Santa direção

Dando a notícia
Desta Estrela do Oriente
Que das noites do deserto
Veio para nos guiar
Daquelas tendas
Vindas das noites do tempo
Sua chama ainda hoje
Continua a iluminar

Rendo tributos
Entrego a Ti os meus trabalhos
E Lhe trago oferendas
Para sempre Lhe adorar
Como os Reis Magos
Cujos passos seguirei
Lhe ofereço a minha vida
Que Sois o maior dos reis

Incenso, mirra, ouro
São os meus tesouros
Representam os Mistérios
A entregar à manjedoura
Neste altar
Imolo a minha vaidade
E subjugo a vontade
Aos pés da Virgem Criadora

Agora
Agora é o tempo da criança
Aqui
Aqui é sempre o seu lugar
Não cai
Nas armadilhas da matéria
Não teme
O que a vida tem para lhe dar

Ela é
Simplesmente um ser divino
A nossa conexão
Bebe
Da alegria da existência
O amor é sua resistência
Às neblinas da ilusão

Lembro
Neste momento os pequeninos
Penso
Há quanto tempo abandonei
Hoje
Aonde está aquele menino
Que
Em minha alma era um rei

Trago
As brincadeiras de criança
As fogueiras de São João
Peço,
Eu peço sempre a Jesus Cristo
Que mantenha o fogo aceso
Brilhando em meu coração

3x

Um rosto superior
Eu vi na Lua Branca
Despontar por trás do morro
Para vir abrir sua banca
Para vir abrir sua banca
Com o que o Mestre nos ensina
Contido no seu hinário
A iluminar essa Doutrina
A iluminar nossa Doutrina
Com os hinos do amor
Eu vi no Sete Estrelas
Um rosto superior

Olha a Cabocla da Pena Dourada
Ela chega da mata, Ela vem trabalhando
Assobia, batuca, chacoalha a cabocla
A corrente da gente Ela chega limpando

Yansã e Xangô e os da Linha Dourada
Que limpam e giram a força da corrente
O sol está nascendo no mundo de novo
É o povo saudando a Linha do Oriente

Hare, Hare Om, Oxalá Babá
O atabaque na mata Ela vai chamar
Assobia, batuca, chacoalha a floreira
E exala os perfumes de Pai Oxalá

Salve Pena Dourada, oh, cabocla formosa
E seu sopro divino, seu perfume de rosa
Já sinto os raios e o redemoinho
De Oiá renovando os nossos caminhos

Vou lhe contar uma história
De um encontro que eu tive nesta caminhada
Era com um ser divino
Que em sua língua propôs uma charada
Como eu era criança
Não tinha resposta, não compreendi nada
E essa lembrança em minha alma
Ficou pulsando por toda a jornada

Decifra-me ou te devoro –
Esse grande Mistério carreguei comigo
Sempre lembrando da porta
Naquela resposta procurei abrigo
Queria fazer a travessia
O enigma, no entanto era meu inimigo
O guardião ali parado dizia:
Responda ou eu mesmo te digo

Intermináveis tropeços
Erros, tentativas de uma solução
A vida seguiu passando
Eu me graduando nesta provação
Os dias que entraram e saíram
Pelas portinhas do meu coração
Até entender que amigos e inimigos
Eram dedos de uma mesma mão

Sigo hoje mais contente
E agradecido por aquele encontro
Desculpas pedi ao meu Mestre
Naquele momento eu não estava pronto
Hoje entendi que o Deus Tempo
Mais uma vez veio me falar
Desperta que o amor é o tesouro
O bem mais precioso que podes levar

O fato, no entanto que o encontro
Sempre culmina em uma despedida
Me traz mais inteiro ao presente
E aberto para dar ao Outro guarida
Quando o Hoje for lembrança
Sempre que o seja alegria vivida
Que as mágoas enterro no Tempo
Irmãos eu lhes digo, não temos saída

Neste mundo de ilusão
Eu vim foi para estudar
Nos cantos da cachoeira
Da floresta e da beira mar

Nas matas aonde moro
O convite é pra viajar
Nas asas das borboletas
Nos vôos dos manacás

Flor das águas
Rainha prestimosa
Mamãe Oiá, Mamãe sinto
De novo os perfumes das rosas

Vou plantar com meus irmãos
No tempo de Deus
E fazer a colheita
Que a porta é estreita

Semear e celebrar
Que já é primavera
Sigo alegre plantando
Os frutos da Nova Era

Se o fruto caiu
E se decompôs
Como o chão eu acolho
A vida que vem depois

Tenho fé na semente
Pois do Sol eu sou filho
O campo arado é a corrente
E a Doutrina meu trilho

Tenho fé no futuro
Do inverno ao verão
E limpo todas as dores
No ciclo da estação

Quem acolhe sempre colhe
Não conhece adeus
Só o eterno presente
No tempo de Deus

Que linda manhã vi nascer nas montanhas
O tempo das dores promete findar
Peregrina minha alma de novo se alegra
O fim do caminho é sempre caminhar

Caminho, caminho, entre flores e espinhos
Os aromas da vida enquanto ando eu sinto
Sigo a trilha das pedras procurando saída
Na certeza da luz no fim do labirinto

Peço a Nossa Senhora de Aparecida
O conforto da Fé que é a nossa saída
Os pesos que carrego vou deixando na estrada
Cada manhã de Luz é a melhor chegada

Águia Dourada me levou pro céu
Para eu entender
O sentido de tudo
Compreender qual é o meu papel
Aluno e professor
Nesta Linha de estudo

Águia Dourada me levou pro céu
Águia Dourada me levou pro mar

E hoje na Floresta dança
Junto ao seu congá
Na mão um laço de cipó e folha
Quem Ele vai laçar?
Caboclas vêm da cachoeira para Lhe louvar
Guerreiros se perfilam juntos
Vão construir seu Juremá

A Rainha da Floresta
Quem me deu esta instrução
Acolhi em minha alma
E guardei no coração
Minha consciência voa
Entre as flores e as folhas
O dançar das borboletas
Em silêncio sobrevoa

Bem no coração da mata
É o reinado da Rainha
Onde em silêncio a vida
Obedece à Criação
E por isso prolifera
Em luz e prosperidade
Vão bebendo do Divino
Em sua diversidade

Canta, canta o passarinho
E as Iaras dos fios d´água
Entre cores, Encantados
Dançam com os seres da selva
Olhem os lírios dos campos
Sob o Sol em sua glória
E o andar da joaninha
Majestosa sobre a relva

Vibre nos raios do Sol
Iluminando o seu centro
E faça do fundo do peito
O frescor da mata adentro
Quando no andar da vida
Lhe faltar um professor
Olhe à frente a Natureza
Com suas lições de amor

Sempre eu peço ao meu Senhor
Mais de Luz pra atravessar
Mas continuo nas trevas
Sem poder continuar

Peço e rogo, meu bom Pai
Que me faça compreender
Onde estão os atrapalhos
Que me impedem de vencer

Sei que sou filho de Deus
E minha busca é sagrada
Como eu faço, ó meu Pai
Para acertar na caminhada

De onde vem esse desacerto
Como curar essa miopia
Preciso muito de seu colo
Sagrada Mãe Virgem Maria

Cansei de caminhar sozinho
Sem ter a Luz no meu caminho
Mas sigo firme ao Seu lado
Até o final sou Seu soldado

Te dou, te dou, te dou
Um abraço de beija-flor
A luz iluminou
Este jardim belo e florido
Quem quer participar
Da grande festa da Rainha
Tem que ser leve e querido
E querer bem todas as Linhas

O abraço de beija-flor
Beijou e logo voou
Não tem endereço certo
No jardim de belas flores
Abraça a rosa e o cravo
As sem-vergonhas e as margaridas
Sem vergonha de abraçar
Pois sabe estar de bem com a vida

Luz, ela é de Luz
A minha trajetória é de Luz
Firme, eu vou seguir
Até onde meu Mestre permitir
Se me ver cair
Ninguém duvide que vou levantar
Que os tropeções
São emanações que o Mestre dá

Perdão no coração
Tento entender esta lição
A chave é flutuar
Na delicadeza da missão
Aos irmãos que eu encontrar
De novo o meu convite é celebrar
Que o tempo está passando
E o direito é não desperdiçar

Palácio de cristal
Quero rever o Salão Dourado
Cuidado pra não quebrar
Que o meu Mestre é delicado
Aqui um dia entrei
E nunca mais vou me esquecer
Me firmo na intenção
Para algum dia o Mestre eu merecer

Passo a vida procurando
Na certeza de encontrar
O meu Pai em todos os cantos
Com Sua Luz a Se mostrar

Meu Pai, meu Pai, meu Pai, meu Pai
Que alegria Te rever
Na surpresa de um irmão
Que Seu amor vem oferecer

Encontrei Mamãe das Águas
Em um olhar celestial
Trazia mostras do Divino
A nos limpar de todo mal

Minha Mãe, minha Mãe, minha Mãe, minha Mãe
E eu não pude me exprimir
Lhe entregar o meu amor
E poder ver meu ser subir

O Mestre Quem venho buscando
Hoje sei onde Ele está
Está no acaso dos encontros
Que vêm para ensinar

Meu Amor, meu Amor, meu Amor, meu Amor
Por meu Mestre está em viver
Reconhecendo o Ser de Luz
Que vive dentro em cada ser

11 de fevereiro de 2006

Vou fazendo a minha parte
Nesta Escola do Amor
Vou seguir falando baixo
Para ouvir o Professor
Vou seguir devagarinho
Para ver por onde vou
Foi meu Mestre Quem falou

São tantas as tentativas
De seguir e se firmar
E de ouvir as tentações
Que querem me desviar
Às vezes o caminho certo
Leva para outro lugar
O que nos resta é confiar

A trilha da sabedoria
O caminho da felicidade
Se esconde inteiro nos detalhes
Das rotas da simplicidade
Quem busca a luz nos gestos simples
Imita assim a Divindade
Feliz quem tem essa verdade

Na minha caminhada encontrei
Tantos seres luminosos
Tantos amigos valorosos
Foi então que perguntei
Qual o meu merecimento
Se eu busco o entendimento
O que foi que aprendi
Destes encontros com o divino
Que me inspiram este hino
Ao Mestre eu perguntei
Vós que sois meu grande Rei
O que são essas flores que colhi

Na minha caminhada encontrei
Ventania sem abrigo
A insídia do inimigo
Foi então que perguntei
Onde foi que abri a porta
Se é a Luz que me importa
Em qual prova não passei
Se é o Mestre Quem me envia
Este encontro que desafia
O meu Eu Superior
A espargir perdão e amor
Até nas sombras onde andei

Eu vejo o Sol nascer atrás dos montes
Eu vejo um lindo dia amanhecer
Nos reinos da Rainha da Floresta
Percebo o meu Deus resplandecer

Eu vejo a passarada toda em festa
Bem-te-vi, o beija-flor, o rouxinol
No mundo inteiro o poder se manifesta
Vão preparando nosso Reinado do Sol

Sejam os homens, as mulheres, as crianças
Que neste dia vêm louvar a Criação
Como os seres em antigas madrugadas
Que já louvavam em volta ao fogo, São João

Neste mundo que eu vi nascer
Neste mundo que vi transformar
Neste mundo viestes aprender
O que fazer para o divino habitar

Eu vou ver, eu vou ver clarear
A aurora dos tempos vencer
Meus irmãos sei que vou encontrar
Neste berço que é meu bem querer

Hoje assisto o tempo passar
Toda a luz, como o sol, passará
Mas recebo a noite e o luar
Que outro tanto de Luz vai mostrar

Aos meus irmãos, hoje peço perdão
Por estas rimas – tão pobres – de amor
Inspirei-me em meu Mestre esta canção
Que no simples expresse o Eu Sou

Eu sou luz, sou amor, harmonia
Sou o Poder que faz a mata vibrar
E distribuo na corrente este dia
Essa energia contida no olhar

É no gesto, no abraço, na poesia
Que descubro da vida o sentido
É no gesto, no olhar meus irmãos
Que se mostra meu Mestre escondido

Neste aniversário
Cantando este hinário
Com todos os seres
Da corte celestial
Com toda irmandade
Com amor e amizade
Deixo renascer
O meu Ser divinal

São laços nascidos
No Reino do Sol
Família é família
Se é família no astral

O amor é o segredo
A armadilha é o medo
O labirinto é tanto
Em todos corações
Confiar na alvorada
Não sabemos nada
A não ser que o Sol nasce
Na mesma direção

A estrada me ensina
Nela confiar
Se erro, é tentando
Sempre acertar

Alma peregrina
O Mestre me ensina
Sem pouso e parada
Vou me libertar
Sabendo onde ir
Deixo todos partir
Pois meu coração
Está em um bom lugar

Família é família
Se é família no astral
Sou Uno com todos
Neste festival

Que o tempo é de balanço
Clareia, clareia
O Mestre me dá ciência
No balanço de sua peia
Sob a luz da experiência
Me desenrosco da teia

Vejam o que está acontecendo
Os meus erro eu assumo
Nos enganos me corrijo
No balanço eu busco o prumo
Se aprendo é caminhando
A hora é de mudar de rumo

Toco o barco, sigo em frente
É Yemanjá que nos balança
Grande Mãe Santa Maria
Livra o povo de suas tranças
O sagrado é coisa séria
Não é brinquedo de criança

Sigo sempre celebrando
A alegria é Deus quem dá
Mas o que Ele me pede
Tu que plante e vá zelar

Vejo aqui nesta irmandade
Tanta luz, tanto valor
Também vejo quem não cuida
Da plantinha que plantou

O que resta a esta corrente
É com atenção testemunhar
Quem caminha é que tropeça,
Feliz quem pode perdoar

Se eu vendo estes enganos
Consentir em aprender
Julgo menos meu irmão
E a plantinha vai crescer

Para eu ser jardineiro
No jardim das belas flores
Eu venho regando o campo
E limpando o que não presta
Para merecer a glória
De viver em plenitude
Perfilado com meus guias
E a Rainha da Floresta

Tanta coisa me domina
Que não tenho conhecimento
Com esforço eu defendo
A Luz que em mim firmou seu ninho
São os erros que me movem
Neste longo seguimento
O que me faz um ser divino
É me saber pequenininho

A estrada é cheia de curva
Mas o meu caminho é reto
De Ogum eu sou soldado
Eu me defendo na clareza
Só o Amor é meu escudo
E a Caridade o meu teto
O Perdão, meus guardiões
E a União minha fortaleza.

Rei Juramidam
Guerreiro Tupã
Por Manitu nos campos encaminhar

Me zelou Osíris
Me encaminhou Taita Inti
Pacha Mama é quem vem me sustentar

Qual é o nome da sua iluminação?
Qual é a língua para eu falar com Deus?

Silêncio é estar no céu
A Palavra é Babel
Se o Verbo é divinal
A luz do Sol é a palavra do Astral

Eu chamei Xangô
Eu chamei Oxossi
E Oxalá para vir nos defender

Arjuna, Ganesh
Shiva em minhas preces
O guardião da qual possa me valer

Qual é o nome da sua iluminação?
Qual é a língua para eu falar com Deus?

Essa língua é a Luz
É silêncio e Amor
Se a tristeza é a cruz
Será a alegria a Luz do meu Salvador.

Hoje eu venho estar no mundo
Para esta história eu contar
Venho aqui neste terreiro
Desvendar meus aperreios
Com Ogum da Beira Mar

Eu que estive na Floresta
E voei com o furacão
Fui jogado pelos galhos
Me enrosquei nos atrapalhos
Deste mundo de ilusão

Nestes caminhos de luz
Muitas sombras encontrei
Ódio, orgulho e cobiça
Ócio medo e preguiça
Até nas terras de meu Rei

Tem a luz e tem a sombra
Tem o sol, a estrela, a lua
É nas pedras se batendo
Nos espinhos se espremendo
Que ensina o Tranca Ruas

Mas depois da ventania
Todo o céu se fez carinho
Neste mundo o Sol se avista
Só depois que se conquista
A benção de meu Padrinho

Minha mãezinha, minha mãezinha
Eu peço e rogo no meu coração
Estar contigo
Bem protegido
Das artimanhas da escuridão

Bem pequeninho, me ensinastes
O valor que tem a sua proteção
Foi no seu colo que eu aprendi
Qual o sentido de minha missão

Você viu
Este brilho no céu
Um cometa passou
E você não percebeu
Você viu
O alaranjado do sol
O dia que findou
E você se distraiu

Olha lá
A folha que balançou
O vento que murmurou
É melhor escutar
As notícias
Que o Tempo gravou
E depois fez boiar
Em mensagens no mar

As mensagens
Não cansam de chegar
Vêm do lado de lá
Para nós aprender
As histórias
De um antigo naufrágio
Que o povo viveu
E depois se esqueceu

Mas se ouvir
As águas do regato
Sussurrando nas pedras
Todos podem lembrar
É a vida
Contando que é passagem
Uma eterna viagem
Que é pra não se apegar

Uma dança
Uma nota do astral
Um perfume ligeiro
Que são grandes verdades
Um sentimento
Que o momento nos traz
Uma lembrança fugaz
De toda a Eternidade

Este Deus
De quem eu sou morada
Só vai se libertar
Se eu deixar flutuar
O eterno
São como ondas na praia
Os vaga-lumes na mata
E fumaças no ar

Vou voar
Sei que eu vou voar
Deixo Deus me levar
Em Sua correnteza
Livre
Só carrego lembranças
Que iluminam meu peito
Com Verdade e Leveza

Hoje
Se alguém me perguntar
De onde é que eu venho
Eu vou lhe responder
Eu
Como filho de Deus
Não pertenço ao Tempo
Eu sou o Vir a Ser.

Eu vim de longe, venho de longe
Quem é que sabe
O rumo que eu vou tomar
Sigo mansinho, o meu caminho
São seus perfumes
Que estão a me indicar

Atrás das flores, levo a semente
Até seu peito para tudo transformar
Inoculando esta corrente
Se na tua alma
Tem perfume a me chamar

Vivo de flores, este é o ensino
Que por missão
Meu Pai me deu para entregar
E essa gente
Do que é que vive?
E ainda pede pro meu Pai para voar

Só quem é leve, pequenininho
Alguma chance ainda tem pra adentrar
O Jardim Celeste, seus sons e sinos,
E a Grande Águia para nos abençoar

São Benedito protegei minha família
Meus companheiros e companheiras de jornada
Vós sois a luz que ilumina a minha trilha
O seu amor me acompanha pela estrada

Não permiti que o inimigo encontre espaço
Que o esquecimento endureça o coração
Uma vez ao lado para sempre aliada
Uma guardiã do templo de Águia Dourada

Vós não se esqueça de que sempre eu agradeço
Por seu amor incansável na batalha
Por onde quer que me leve esta estrada
Vós sois o esteio do Portal da caminhada

São Benedito protegei esta família
Mãe, Pai e amiga, companheira e sempre filha
Se algo nos une nestes dias é o amor
Compartilhamos do mesmo Eu Superior

Eu sou filho de Oxalá
E do meu Pai Obaluayê
Meu Pai me leva na minha Jornada
Meu Pai me leva a conhecer

Vou seguindo a rota das estrelas
Meu comandante é estelar
Eu entro em mundos, saio de mundos
A Paz do Cosmos vou semear

Os seres divinos mostram o caminho
O que me resta é atravessar
Só quem conhece o seu Divino
Um dia ainda pode chegar

Nas maravilhas da missão completa
Na existência que realizei
Meu Pai me manda seguir minha meta
E se a sigo é que um Deus serei

No amor eu envio esta mensagem
O amor que vem pra te transformar
Nesta vida viva a vida com coragem
Esta viagem é pra quem sabe navegar

A magoa a dor levam por um rumo torto
Tantas bobagens,
São pra quem ficar no porto

Santa Clara, traz a luz pra este povo
Introduzi a luz do novo
A Nova Era é

Se deixar levar
Pelas asas da alegria
No amor de Santa Maria
Eu possa a vida celebrar

Minha Mãe do Céu,
Minha Mãe do Céu
Que alegria eu poder cantar
Juntos aos meus irmãos
Com quem caminhei
E nesta Doutrina encontrei

Quero me desculpar
Por toda vez que eu
Não entendi o valor do amor
Estava aprendendo
E o irmão sofrendo
Foi meu professor

Na simplicidade
Com toda humildade
Minhas desculpas queiram aceitar
Minha ignorância
Vem de uma criança
Buscando acertar

Por isso sou filho
Dessa Grande Mãe
Que a vida inteira me ensinou
Com sua compaixão
E com seu perdão
Que tenho a chance de ser melhor

Ê ê, no alvorecer
Nos raios do Sol ela chegou
Ê ê, a Águia voou
E lá da Floresta soa o tambor

Os sinais estão aí
Para quem quiser ouvir

Das estrelas do firmamento
Espero que possam me ouvir
Minha alegria e meu lamento
Onde estou a me despedir

A Nova Era que se anuncia
E sempre nasce a cada dia

Tem um tempo que está passando
Tem um tempo que passou
Eu peço a Deus ir me transformando
Sem resistir ao que terminou

Que o tempo é de Alvorada
Aceno, me despeço e vou
Que o tempo é de Alvorada
Aceno me despeço e vôo

É neste mundo que eu faço o meu trabalho
É neste mundo que eu vim me apresentar
Se tento, falho, amo
Me atrapalho, canto
A Grande Obra que persigo ao Caminhar

Meu Deus, Meu Deus, Deus meu
Me esforço em aprender
Nesta Doutrina do Mestre
Que me ensina cantando
Que o milagre da vida
Continua me dando

Sigo em frente com amor a esta irmandade
Nesta estrada da matéria a percorrer
São tantas flores do bem
Amores, dores também
Meus professores e minha fonte de saber

No mundo, agora, aqui
É que posso subir
Em direção ao infinito
Ao Castelo Divinal
Ouçam dos homens seu grito
Em direção ao Astral
No mundo, agora, aqui
É que posso subir
Mas é o mundo que habito
A Escola Celestial
É no paraíso da Vida
Que sou filho do Sol

São Miguel é quem veio avisar
Deste encontro que vai suceder
Águia Dourada é quem vai sustentar
Pena Branca é quem vai proceder

Atotô, Atotô, Atotô
Chegou a hora de tudo largar
A neblina se vai
Logo o Sol vai nascer
Atotô, Atotô, Obaluayê

É na Luz que navega este Reino
É no Sol que consegue singrar
Em outras eras fizemos o treino
Para hoje todos realizar
Atotô, Atotô, Atotô
Chegou a hora de tudo largar
A natureza celebra
O nascer da manhã
Quem desponta é o futuro
Saluba, Nana

Foi na dança que fiz o Universo
Foi no canto que a Vida soprei
Fiz a valsa entre o Sol e a Terra
Foi em dança que os rios ensinei

Foi em dança que os rios ensinei
É no canto que envio a Doutrina
Se você não souber atravessar
Venha que o vento te ensina

Estou contente e seguindo eu vou
Vou firmado na estrada do Amor
As borboletas que ainda encontrar
Vão comigo nas flores pousar

Vão comigo nas flores pousar
A mensagem é de amor e esperança
Se pra você o Caminho é batalha
Faz do Caminho uma dança

Meu sagrado vinho
Quem me concedeu
Foi a Rainha da Floresta
E o Mestre Irineu

Meu divino Pão
Da Ressurreição
Compartilhei nas grandes ceias
Das fogueiras de São João

O Sol brilhou na Terra
Quando no mundo era manhã
É através da luz do Sol
Que vem a mim Juramidam

Nasci com as estrelas
Para sempre serei Luz
Sou Peregrino do Caminho
A Estrela Guia é Jesus

Das estrelas meus caboclos
É que vieram me instruir
Desde então fiquei ligado
Em uma estrada a construir
Que ela seja de procura
A minha cura está por vir
Mas o Amor eu tenho agora
E a Alegria eu tenho aqui.

Mais eu vivo a Alegria
Mais eu vivo o Amor
Mais encontro inimigos
A reclamar de quem eu sou
Minha Mãe Santa Maria
Me ensina a me calar
Desde o início corte o vício
Prá sua luz vir vigorar

O compromisso é a pureza
Da sua Consagração
Mas não busco na Doutrina
Uma nova Inquisição
Cada um busque a verdade
Dentro de seu coração
Quem der conta, segue em frente
Sempre, sempre, com Sua mão

Hoje eu andei sob o Sol
Escrevi minhas pegadas na areia
Rastros marquei nas trilhas que andei
São linhas que espero Deus leia

Linhas que são testemunho
Das tantas folhas da mata onde entrei
Em cada folha os olhos de Deus
A ler os versos que deixei

Nã nã nã nã nã…

Nestes encontros em que me encontro
Um professor vem me desafiar
Um grande espelho misterioso
Com luz e sombra a se revelar

Eu sou o Um, eu sou o Outro
Eu sou o Todo a se manifestar
Quem sou aquele que está no Outro
Quem é o Eu que está em seu lugar?

Olho seus olhos, sinto seus traços
Um universo a me questionar
Temos abismos, temos abraços
E uma pergunta que não quer calar

Deus são estrelas, Deus é o Universo
Ou Deus na terra está a passear
Deus são seus braços, Deus são meus versos
Acolho Deus sempre que te encontrar

Trancoso, 23 de janeiro de 2010

Devagarinho eu vou seguindo este caminho
Vou bem juntinho de meu Guia protetor
Com o Sol do lado eu vou bem acompanhado
Da luz da vida, da alegria e do amor

Seguimos juntos, minha irmandade querida
A minha lida é seguir reto nesta trilha
Com todos juntos perfilados na harmonia
Que alegria ter juntado esta família

O caminho é estreito entre a loucura e o juízo
O paraíso é neste mundo de ilusão
Se há sentido nestes passos sobre a terra
É ser querido é querer bem aos seus irmãos

Um presente do Mestre
Recebi lá das estrelas
Replantei no coração
Iluminou o meu caminho
Não sabia o que me dava
Mas sabia ser carinho
Com alegria eu plantava
Já não estava mais sozinho

Ai, ai, ai, ai
Que magia agradecer
É tal como receber
Estes presentes de meu Pai

Meu jardim é de estrelas
Meu jardineiro é de Luz
Essa flor, eu posso vê-la
Pois em meu jardim reluz
Hoje o Eterno mora em casa
Onde irradio esta Presença
E com as fagulhas que produz
Me incendeiam a consciência

Ai, ai, ai, ai
Que magia agradecer
É tal como receber
Estes presentes de meu Pai

Minha mãe querida
Mãezinha do Céu
O Seu ensino é mel
Para este beija-flor
Com Sua entrega
Sua doação
Encheu meu coração
Com Seu divino amor

O que eu seria
Sem Sua alegria
Eu não saberia
Que rumo tomar
Hoje apenas vôo
Plano e sobrevôo
No meio das flores
Para celebrar

Sou abelhinha
Eu sou passarinho
Eu faço meu ninho
Nesse Seu congá
Sou joaninha
Mas sou Rei Guerreiro
Pra neste terreiro
Saber festejar

É nesta festa
Que se manifesta
Sua majestade
E Seus ensinamentos
Meus sentimentos
Estão com a Águia alta
Junto das estrelas
Desse firmamento

E com as conchinhas
Os corais, as rochas
A chuva saborosa
Que alimenta o mar
E com as luzes
Deste Reino amado
De quem sou cercado
E me faz brilhar

Quando o Tempo na alma fustigar teu coração
E a ladeira lembre os desafios da aflição
Saiba que neste canto teus irmãos entoam um canto
Um Farol na noite escura que enxuga o teu pranto

Deus te abençoe sempre, companheiro de jornada
Que lhe seja leve o desafio desta estrada
Neste Templo de luz estão sempre lhe esperando
Teus eternos Guardiões, pouco a pouco te ensinando

(Homens)
Vou recebendo este canto
Na força dos Marinheiros
Vêm trazendo o seu balanço
Seu balanço pro terreiro

(Mulheres)
Quem não sabe balançar
Não chegue perto do mar
Seu coração está batendo
Bem longe de Mãe Yemanjá

(Homens)
Marinheiro, Marinheiro
Me ensina esta canção:
Alegria no meu balanço
Leveza no meu coração

(Mulheres)
Quem não sabe receber
Nunca consegue entregar

(Todos)
Recebo da Vida este canto
Entrego pra Mãe Yemanjá

Vem cá, vem cá
Mamãe tá mandando chamar
Tem hora pra ficar quietinha
Recua para avançar

Esse é o balanço das ondas
Janaína dança
Balança para mostrar
Que a Força é feminina
Salve Janaína
Odociá

Salve a dança das ciganas
Os passinhos de Nanã
Oxum, Iara, Mãe D´Agua
Na frente Juramidam

Esse é o balanço das ondas
Janaína dança
Balança para mostrar
Que a Força é feminina
Salve Janaína
Odociá

Coberta de folhas Jurema
Vestida de vento Iansã
Tarumim é formosa
Na frente Juramidam

Encontrei minha Mãe lá nas alturas
Estava com Pai Oxalá

O Rainha da Formosura
Ayê ê oh
Que bendição é te louvar
Me reconheço em sua Escola
Mamãe
Sou filho deste Seu congá

Encontrei minha Mãe lá nas funduras
Era Mamãe Yemanjá

O Rainha da Formosura
Ayê ê oh
Que bendição é te louvar
Me reconheço em sua Escola
Mamãe
Sou filho deste Seu congá

Encontrei minha Mãe na varrição
Vinha como Mãe Yansã

O Rainha da Formosura
Ayê ê oh
Que bendição é te louvar
Me reconheço em sua Escola
Mamãe
Sou filho deste Seu congá

Encontrei minha Mãe na mata adentro
Abençoada Mãe Jurema

Qualquer que seja a tua face
Ayê ê oh
De ti muito aprendi
Me reconheço em sua escola
Mamãe
Agora tenho pra onde ir

Presto aqui minha homenagem
Ao meu velho Irineu
Que nesta minha viagem
Foi quem me precedeu
Veio abrindo este caminho
Me mostrando a direção
Ao meu Mestre com carinho
Entreguei meu coração

Segue assim a Roda da Vida
Vai passando o bastão
Cada alma precedida
De uma grande procissão
Cada um vai aprendendo
E passando aos demais
Eu saúdo os que vêm vindo
E louvo aos meus ancestrais

Esta chama nesta casa
A missão é alimentar
Cada um faz a sua parte
Para não deixar apagar
Com saudades comemoro
Quem um dia tornou ao pó
E sigo leve a senda da vida
Que nós todos somo UM só

Um dia vou me despedir
Disso não posso fugir
Pergunto ao meu coração
Então:
O que eu levo para prosseguir?

Carrego no fundo da alma
Um sentimento tão bom
Estrelas de meu firmamento
É que são
Os amigos de meu seguimento

Os anjos que encontrei
Nas luzes que compartilhei
O brilho mais duradouro
Eu sei
No amigo é o maior tesouro

Tudo aqui é muito fugaz
Sei que partirei em paz
Carregando comigo a verdade
De ser
Amigo pela eternidade

Acordei com o meu Mestre
Me pedindo pra lembrar
De seu antigo ensinamento
Que vem das ondas do mar

Neste seu eterno ciclo
Nunca deixam de estar lá
Renovando suas presenças
Espumas brancas de Oxalá
E no entanto vão embora
Para nunca mais voltar

Empinam as águas para o céu
E se dissolvem no ar

O Mestre disse há muito tempo
Para conquistar a paz
Segue a Estrela do Oriente
E não olhe para trás

O retorno para o ontem
É triste imaginação
O apego vem do medo
É matéria da ilusão
Pois a vida segue em frente
É sempre renovação

Seguem assim os que tem Fé
Filhos de Oxum e Oxumaré

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